Maconha: a legalização está longe de agradar a todos

Ass. Comunicação

Associação Ciência e Vida: “É hipócrita defini-la como droga ‘leve’”

A discussão sobre a eventual legalização da maconha na Itália está levantando reações contrariadas de várias associações católicas e pró-vida.

Para a presidente da associação Ciência e Vida, Paola Ricci Sindoni, este é apenas “o enésimo ato de uma ofensiva que já dura anos para liberalizar as drogas. Mas um Estado que legaliza um comportamento prejudicial não promove o bem dos seus cidadãos. E essa responsabilidade precisa ser assumida”.

“São conhecidos os efeitos deletérios dessa droga, falsamente chamada de ‘leve’, e a expressão ‘uso recreativo’ é hipócrita, porque esconde por trás das palavras as consequências dramáticas do seu uso irresponsável. Liberalizar evoca uma mensagem perigosa: que a droga não faz mal e que a maconha, no fim das contas, é inofensiva. A lei não deveria, por acaso, ter também um propósito educativo?”.

“Uma coisa é prescrever canabinoides em certas condições de distúrbios graves. Outra é brincar, de modo deliberadamente ambíguo, com a falta de familiaridade dos leigos no assunto e contrabandear a maconha como uma panaceia capaz de tratar das mais variadas doenças”, acrescentou a presidente da Ciência e Vida.

“Não é incomum, especialmente nas redes sociais, ler informações falsas e exageros relacionados com as propriedades terapêuticas da cannabis, tentando favorecer uma liberalização rápida e esquecendo que mesmo um simples antibiótico só pode ser tomado sob supervisão médica. Misturar dois âmbitos diferentes, o da medicina e o do uso indiscriminado da droga, só serve para obscurecer a verdade dos fatos e envolvê-la numa confusão desconcertante”.

De acordo com o presidente do Centro Italiano de Solidariedade “Don Picchi”, a nova proposta para legalizar a cannabis na Itália é “demagógica e desastrosa” e “ameaça minar a coesão social do país”.

“A Itália precisa de uma mudança que ponha no centro de toda ação a pessoa humana e os seus direitos inalienáveis, ​​e não as proclamações liberistas e populistas que não só não trazem nada de positivo como aumentam a insegurança e os conflitos sociais. É por isso que nos declaramos contrários à liberalização do uso de drogas de qualquer tipo. A legalização das ditas ‘drogas leves’ terá o mesmo efeito negativo do fenômeno dos jogos de azar, como o crescimento de novas formas de pobreza e de crime. Considero imperativa uma reflexão por parte do parlamento antes de tomar decisões que podem agravar a situação social e econômica já complexa na Itália”.

“Se tudo isto se tornar lei, haverá um alto custo social: ficará idealmente aberta a porta para o uso de drogas mais pesadas e devastadoras. A ideia de que um hábito como o do uso da maconha deva tornar-se lei não pode passar”, concluiu Mineo.