Santa Sé: déficit de mais de 25 milhões de euros

Ass. Comunicação

O Conselho de Assuntos Econômicos do Vaticano apresenta o balanço de 2014

Na última reunião do Conselho de Economia, em 14 de julho de 2015, o cardeal George Pell e a Secretaria de Economia do Vaticano apresentaram as demonstrações financeiras consolidadas da Santa Sé e do governatorado da Cidade do Vaticano.

Ambos os balanços foram preparados pela Prefeitura de Assuntos Econômicos e examinados pelo Secretariado, pela Comissão de Auditoria e pelos auditores externos.

A Sala de Imprensa da Santa Sé observa que “2014 foi um ano de transição para as novas políticas da Gestão Financeira baseadas em normas internacionais de contabilidade para o setor público (IPSAS)”. As demonstrações financeiras de 2014 foram elaboradas “com base em padrões contábeis anteriores e na abrangência anterior, que inclui 64 instituições da Santa Sé”.

Foram “incluídos todos os ativos e passivos para garantir a adequada precisão e abrangência. No contexto do trabalho realizado pelo auditor externo, foi solicitada a confirmação dos saldos por parte de terceiros, em conformidade com a prática normal de revisões, de modo que todos os montantes fossem verificados de forma independente”.

A transição para as novas políticas está “progredindo bem” e o Secretariado pôde fornecer um “quadro muito positivo de cooperação entre os diferentes órgãos”. As demonstrações financeiras de 2014 são o resultado de um “enorme trabalho” por parte de muitas instituições da Santa Sé, em particular da Prefeitura para os Assuntos Econômicos e da Secretaria da Economia. Os membros do Conselho expressaram “seu agradecimentos tanto pelo trabalho rigoroso e profissional quanto pelo forte empenho na execução das reformas financeiras aprovadas pelo Santo Padre”.

O balanço 2014 da Santa Sé indica um déficit de 25,6 milhões de euros, muito próximo do déficit de 24,47 milhões registrado em 2013. Aplicando-se aos resultados de 2013 o mesmo tratamento contábil usado ​​para 2014, o déficit de 2013 teria sido de 37,20 milhões de euros; portanto, houve melhora em 2014, em grande parte devida aos investimentos favoráveis feitos pela Santa Sé. A receita principal de 2014, além dos investimentos, inclui as contribuições feitas de acordo com o cânon 1271 do Código de Direito Canônico (21 milhões de euros) e a contribuição do Instituto para as Obras de Religião (50 milhões de euros).

O patrimônio líquido aumentou em 939 milhões de euros, como resultado de ajustes feitos para incluir todos os ativos e passivos no fechamento financeiro de 2014.

Como nos anos anteriores, as despesas mais significativas da Santa Sé envolvem os custos de pessoal (€ 126,6 milhões), com 2.880 funcionários nas 64 instituições incluídas na consolidação.

O balanço 2014 do governatorado regista um excedente de 63,5 milhões de euros, uma melhoria significativa em comparação com 2013 (33 milhões de euros), em grande parte devido a receitas de atividades culturais (especialmente dos Museus Vaticanos) e a investimentos favoráveis. O patrimônio líquido aumentou em € 63,500 milhões. O total de funcionários do governatorado é de 1.930.

O Conselho também recebeu uma atualização do orçamento de 2015 com recomendações específicas para cada uma das 136 instituições sujeitas à supervisão do Conselho e da Secretaria. O orçamento indica que é provável que os déficits registados nos últimos anos continuem em 2015.

A implementação das reformas exigidas pelo Santo Padre, embora com “progressos rápidos”, provavelmente exigirá mais alguns anos. “Este orçamento e estes balanços são um passo importante” e, a partir de 2015, diz o comunicado da Santa Sé, as demonstrações financeiras consolidadas incluirão as novas práticas e os novos organismos, conforme exigido pelas novas Políticas de Gestão Financeira.